Implemented by TechnoServe

 
 Para ler  mais sobre este modelo, descarregue o relatório aqui.

Catxava, em dialecto local, significa cavar a terra.

Armando Catxava

Um agricultor, acredita sempre que no próximo ano vai fazer melhor!

Alberto Muchenguete

Sinto-me livre para fazer o que gosto.

Ramos Varela

Já empreguei 15 pessoas que não tinham o que comer.

JORGE SARAIVA

Estou a preparar o meu futuro para quando não tiver forças para trabalhar.

ESTEVÃO CANHAMA

Moçambique é uma potência tremenda!

MÁRIO VIEIRA

O modelo do Pequeno Agricultor Comercial foi desenvolvido pela TechnoServe em 2012. Os pequenos agricultores comerciais são agricultores locais e empresários com capacidade e motivação para mobilizar tecnologias e fornecer serviços que beneficiarão de maneira tangível a capacidade dos agricultores vizinhos. Candidatos dos pequenos agricultores comerciais são selecionados por sua história agrícola, características comportamentais que indicam capacidade empreendedora, acesso a terrenos viáveis, capital para investir e seu desejo de investir nesse novo modelo de negócios. Os clientes dos pequenos agricultores comerciais são pequenos agricultores locais.

Os pequenos agricultores comerciais selecionam os insumos (principalmente sementes), os serviços (principalmente a mecanização) e as melhores práticas agrícolas para oferecer, com base no conhecimento local das necessidades dos pequenos agricultores. Além disso, eles podem desempenhar um papel de agregação, recomprando produtos desses pequenos agricultores e vendendo para grandes agricultores comerciais ou outros compradores finais. O modelo pretende ser sustentável através do pequeno agricultor comercial que desenvolve um modelo de negócio rentável baseado na compra repetida de insumos e serviços por agricultores vizinhos.

 

 

A COPAZA, foi criada por iniciativa de alguns dos agricultores beneficiários do projecto financiado pela Reino dos Países Baixos desde finais de 2012, gerido pela TechnoServe Moçambique através da sua equipa de Programa Agrícola. O surgimento da COPAZA, resulta da vontade dos agricultores de passarem a ter uma organização comum para protecção e promoção dos seus interesses. A COPAZA / Cooperativa de Produtores da Alta Zambézia teve os seus estatutos publicados no Boletim da República de 19.Maio.2014 – III Série, nr. 40, na base dos quais se define que “...é uma pessoa colectiva de direito privado, com fins lucrativos, dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial...”. Esta cooperativa de âmbito regional, tem a sua sede na localidade de Magige / distrito do Gurué, província da Zambézia (artigo 2º, ponto 1), podendo construir ou participar em sociedades ligadas a cadeias de valor das principais culturas praticadas na Zambézia (artigo 2º, ponto 3).

Os seus principais órgãos são a Assembleia Geral, uma Direcção e um Conselho Fiscal, todos eleitos por mandatos de 3 anos. Actualmente a COPAZA tem 33 membros associados, com jóias pagas, havendo, ainda mais dois associados em processo de admissão. Inicialmente foi constituída uma Comissão Instaladora no início de 2014, mas após a existência formal em BR e a realização de eleições próprias, tem como actual Presidente da Direcção o senhor Armando Catxava, agricultor associado e um dos seus fundadores. A TechnoServe Moçambique tem o estatuto de membro benemérito, também com jóia paga.

Em 2014, a TechnoServe e a COPAZA associaram-se a uma empresa moçambicana denominada Sociedade de Desenvolvimento Agropecuário (SDAP), do Grupo Txopela Investments SA, para investir na criação da empresa de sementes Sociedade de Beneficiamento de Sementes (SBS). Com um investimento grande, a SBS construiu uma fábrica de processamento de sementes em Magige, uma cidade localizada a cerca de 40 km do centro comercial de Gurúè, com capacidade para processar sementes a uma taxa de cerca de 15 toneladas por dia. A nova instalação da SBS permite que os pequenos agricultores comerciais processem suas sementes localmente, reduzindo assim os custos de transporte e aumentando a flexibilidade e a qualidade no processamento de vários tipos de sementes para venda pela rede da COPAZA.

A SBS compra e processa a soja dos pequenos agricultores comerciais; ao contrário de outros compradores de sementes, a SBS pode fazê-lo com uma capacidade maior de venda comercial. Com a SDAP detendo 80% da empresa, e os membros da COPAZA detendo os 20% restantes, a estratégia da SBS é comprar sementes (atualmente apenas soja, mas incluir outras sementes no futuro) dos pequenos agricultores comerciais, aos quais eles também oferecem treinamento no cultivo de sementes certificadas. Em agosto de 2018, a SBS processou 146 toneladas de sementes de soja de 24 pequenos agricultores comerciais e espera-se processar um total de 160 toneladas métricas até o final do ano. Desde a abertura da SBS, mais de 70 toneladas de soja foram processadas e vendidas de agricultores da COPAZA.

 

A produção global de soja tem crescido rapidamente nas últimas décadas,

mas a África Subsariana ainda é um produtor marginal (<1%). A África Austral produziu 1021 MT em 2016, com a África do Sul a representar quase três quartos da produção. O setor de soja de Moçambique cresceu rapidamente nos últimos 10 anos, impulsionado pelo aumento no número de produtores. Na última década, a demanda de soja aumentou, impulsionada principalmente pela demanda de soja pela indústria de raçao. A produção de Moçambique é dominada por PAFs e aumentou progressivamente para 47 000 MT, apesar das condições meteorológicas muito desafiadoras nos últimos anos. O grão de soja é processado em bagaço de soja e óleo de soja, sendo que Moçambique exporta sobretudo grão de soja. Para ler mais sobre a cadeia de valor da soja moçambicana, descarregue o relatório aqui.

calendarização

A campanha agrícola, em regime de sequeiro, é aquele que predomina na maioria das regiões do país e também na região da Alta Zambézia, apresenta normalmente a seguinte calendarização:

set - Nov/dez

 PREPARAÇÃO 

 DAS TERRAS 

Quer manualmente (na base da enxada), quer tracção animal (apenas em algumas regiões bem definidas de Manica/Tete e Sul do país), quer com recurso à mecanização (essencialmente tractores de rodas com alfaias); 

nov/dez - jan

 SEMENTEIRA DAS 

 CULTURAS / 1ª ÉPOCA 

Sementeira das culturas ditas de 1ª época, usualmente os grãos como cereais (milho, sorgo, arroz), algumas leguminosas (soja, etc.), mandioca, algodão, tabaco, etc. (com o início da época chuvosa); 

FEV/MAR

 SEMENTEIRA DAS 

 CULTURAS / 2ª ÉPOCA 

Sementeira das culturas ditas de 2ª época, como a maioria dos feijões (boer, nhemba, manteiga) e algumas oleaginosas (girassol gergelim, etc.); 

abr/maio

 VIVEIROS E 

 SEMENTEIRA / 

 TRANSPLANTE DE 

 HORTÍCOLA 

Alguns tubérculos (batata, batata-doce, etc.); - em várias regiões começa a haver o recurso a pequenos sistemas de rega, essencialmente com base me motobombas e algumas electro-bombas, (fase final da época chuvosa e início da época seca, nas zonas mais baixas e com alguma humidade no solo); 

ABR/MAIO - JUN/JUL

 COLHEITA DAS 

 CULTURAS / 1ª ÉPOCA 

Essencialmente de grãos, algodão, tabaco, etc. Seguida de limpeza/debulha e ensaque

para venda; 

JUL/AGO

 COLHEITA DAS 

 CULTURAS / 2ª ÉPOCA 

Colheita das culturas de 2ª época, seguida de limpeza/debulha e ensaque para venda; 

ABR/MAIO - AGO/SET

 COMERCIALIZAÇÃO 

 AGRÍCOLA (VENDA 

 DA PRODUÇÃO) 

De uma forma sequencial e à medida que as culturas de 1ª e 2ª época vão estando disponíveis para auto-consumo e mercado; 

MAIO/JUN

- SET

 COLHEITA /

COMERCIALIZAÇÃO (VENDA)

Venda de hortícolas, batata, etc. 

 Nota: Esta calendarização deve ser entendida como uma base geral, com as devidas adaptações às várias regiões do país, sendo determinadas pelo decorrer da época chuvosa e arranque da época seca.